Planos de Gestão Proativa de Secas em Hidrossistemas

A seca se configura um fenômeno socio natural recorrente no semiárido brasileiro. No Ceará, as experiências acumuladas com a convivência com as secas geraram um repertório amplo de ações, seja no âmbito institucional-legal, seja na implantação de obras de infraestrutura hídrica e processos de organização social. Contudo, observa-se o predomínio de ações reativas que encaram a seca como elemento extraordinário, surpreendente. Essa forma de lidar com as secas não é capaz de responder aos seus inúmeros desafios e impactos, gerando custos elevados para a sociedade e desconsiderando uma gama ampla de experiências e memórias existentes nos diversos territórios do estado. Frente a isso, o Programa Cientista Chefe em Recursos Hídricos da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNCAP, em parceria com o CEPAS/UFC e a Cogerh, idealizou os Planos de Gestão Proativa de Secas, os quais visam romper com o caráter reativo e desenhar processos participativos de planejamento para as secas com o envolvimento dos Comitês de Bacia Hidrográfica, das Comissões Gestoras de Reservatórios, das Comissões de Operação dos Vales, das Gerências Regionais da Cogerh e das universidades. Com isso, busca-se definir um conjunto de ações para os distintos momentos da seca, antecipando-se aos seus efeitos. O projeto tem como objetivo elaborar Planos de Gestão Proativa de Seca dos Hidrossistemas e Vales Perenizados do estado do Ceará, proporcionando inovação de métodos, técnicas e instrumentos de trabalho e de estrutura organizacional para a promoção da Política de Gestão Proativa de Secas no Ceará.
Quem financia?
O projeto é financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH) e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).
Quem participa?
Diversos atores sociais compõem o projeto, desde as equipes interdisciplinares de elaboração, os gestores da política de recursos hídricos do Ceará e os colegiados de participação social, ou seja, Comitês de Bacia Hidrográfica, Comissões Gestoras de Reservatórios e Comissões de Operação dos Vales Perenizados.
O que já entregou?
- 27 Planos concluídos
Foram elaborados e publicados 27 Planos de Gestão Proativa de Secas para hidrossistemas do Estado do Ceará.
- Sistema SADGS
Plataforma de monitoramento dos Planos de Gestão Proativa de Secas, indicadores e medidas de adaptação.
- I Seminário Secas
O I Seminário Secas, Sociedades, Políticas Públicas e Adaptação ao Clima foi realizado em novembro de 2025 na COGERH.
O que está produzindo?
Planos de Seca de Hidrossistemas em elaboração:
- São Pedro da Timbaúba
- Malcozinhado
- Faé
- Macacos
- Flor do Campo
- Germinal
- Jaburu II
- Trapiá II
- Tijuquinha
- Ema
Qual impacto ele gera?
Os Planos de Gestão Proativa de Secas integram uma estratégia de gestão de risco para o Estado do Ceará, considerando as particularidades hídricas, ambientais e sociais de cada território. A proposta busca fortalecer a capacidade de preparação frente aos eventos de seca, substituindo uma atuação predominantemente reativa por uma abordagem preventiva e planejada.
A elaboração dos planos envolve as Gerências Regionais da Cogerh, as Comissões Gestoras de Sistemas Hídricos e os Comitês de Bacia Hidrográfica, promovendo um processo participativo que valoriza as experiências locais, as memórias da seca e a construção conjunta de soluções.
Os planos articulam três componentes integrados:
- Alocação Negociada de Água
Definição participativa dos usos da água disponíveis em cada sistema hídrico.
- Plano de Segurança Hídrica
Identificação de riscos e definição de estratégias para garantir maior segurança hídrica.
- Plano de Gestão Proativa de Secas
Planejamento de ações antes, durante e após os períodos de seca, fortalecendo a capacidade de resposta dos territórios.
Por que isso importa?
Ao antecipar os efeitos da seca e promover o planejamento participativo, os Planos de Gestão Proativa de Secas fortalecem a resiliência dos territórios, reduzem impactos e contribuem para a convivência sustentável com o semiárido.
